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contos d´oeste

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14
Jan21

A chama

contosdoeste

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Amor é fogo que arde, podem ver:

é só fechar os olhos bem sentados,

imaginarmos uma botija de propano,

um aparelho qualquer que faça chama,

e a chama do piloto já ligado.

 

A chama é azul, constante, invariável.

O azul mais puro (sabiam?) não deixa quase lixos, quase nada.

Pode ser chama branca e aí não deixa mesmo nada,

ou virar para amarela, rubra, ou cor-de-rosa 

lilás, cor-de-laranja, acastanhada

é só escolher o que queimar, qual combustível

você é quem decide que traz na sua carrada.

 

Vai durar o que quiseres, porque é a tua chama

e será infinita enquanto dure.

Vai na tua vontade a manter como entenderes, 

com maior ou menor lume, é coisa tua.

Será imortal aqui no teu presente,

Não é uma dor, feridas do passado,

é uma luz azul que é tua, diferente 

Não é um roupão que cheire alcanforado

ou letras portuguesas inventadas. 

Não é um amante na distância imaginado

Nem é chorar por quem partiu ou vai embora.

 

É ter contigo próprio lealdades,

sarar aquilo que com ti carregas

é um amor puro em que trascendes

àquele a quem entregas amizades.

 

Construo logo a minha chama

quebro as sombras,

correntes de ar frio assobiando,

quem disse medo?

A chama me protege, eu no comando, 

escolho quanto aquecer segundo as roupas,

o frio do momento, a companhia.

Sou dono disto tudo, sou eu que escrevo

do corpo musculado ou dos cabelos,

dos olhos a brilhar, do riso alegre

de dentes afiados

ou de seios.

Não vou falar de sexo não é isso,

até era tentador mas não agora;

estou no lugar certo, estou no centro

a chama me obedece, eu sou a chama, 

aberta a quem quiser quentar sua alma.

 

O mundo que eu criei já se renova

Redondo, mudo o ritmo encavalgado,

começa o trote, avanço na corrida...

Peraí e olha, minha ´miga.

 

 

Vou renovar a chama

                                    é só um instante,

tenho mais cem botijas

                                   só um minutinho.

Apenas um barulho, um pouco frio,

eu sei,

a chama nunca volta ao que era dantes.

 

Renovo a nova chama novamente.

Melhor, maior,

mais quente,

abraça as suas sombras

olha aos olhos, 

Não é uma chama que fascine inexperientes.

 

É chama artificial, é de botija?

É tão só um poema? Fora disso.

Mas e o calor que traz?

E o seu conforto?

Que bem se está!

É assim,

             tão simples,

                                     bonitinho:

Dificil se arredar quando é inverno

daquilo que nos faz estar quentinhos.

 

Você está convidada

                              a porta aberta, 

apenas entornada se quer vir,

eu fico bem aqui a preservar

a paz e o calor que eu construí.

 

É coisa de você

se quiser vir.

Já fui e já voltei, andei por onde quis,

dei volta ao mundo, eu já escolhi

não me mover, está-se bem aqui.

Casei comigo próprio 

sou feliz.

Cá está o meu lugar para compartir.

É coisa de você se quiser vir.

12
Jan21

Poema de embalar para dormir a noite inteira

contosdoeste

IMG_20210112_002618_500.jpg

 

Humildemente intento abrir-me

ao mais nada fazer,

não empurrar nem puxar do meu barco.

 

Encontro por acaso, um lugar,

um espaço seguro e a salvo ao deixar de procurá-lo.

 

O presente arrola o meu sono.

Ele veio a mim.

 

Estou pronto para deixar que a corrente me leve

neste ritmo suave.

 

O futuro ouve-se flexível no rumor das canas verdes.

Confio em mim e em quem me acompanha.

 

Sorrio,

sei que sou um simples aprendiz.

 

Os meus pés estão firmemente ancorados.

Estou sentado.

Observo no horizonte o pôr-do-sol.

 

Brilha alegre para mim enquanto o meu sorriso cresce,

 

estende os seus braços

e me abraça.

 

Sou parte duma rede

invisível

que sustenta a vida.

 

Consigo enxergar a urdume, brevemente.

Estrelas a pulsar, pequeninas, minúsculas.

Piscam num fundo negro, infinito.

 

Construo a minha barca como um poema

Qual barca?

Construo os meus pés, o meu olhar,

o corpo inteiro.

 

Deixo-me embalar por esta calmaria que se percebe no ambiente.

 

Os olhos fecham-se e o sol ilumina as minhas pálpebras por dentro,

vermelho,

                amarelo,

                                azul,

deitou-se.

 

Por fim,

descanso.

Flutuo na água quente, sem ondas

e respiro.

Uma, duas, três... cinco vezes cinco.

Os braços estendidos em cruz, o ceu no alto.

Entrego-me.

Sei que o meu poema me protege.

Já não tenho medo.

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