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contos d´oeste

Aprendiz & Caminhante

contos d´oeste

31
Jul21

Sinceridade

contosdoeste

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Sinceridade é a conexão maior que você e eu encontramos finalmente.

Ouço você e o sol atravessa as palavras, as nuances todas ocultas entre neblinas de vapor, brumas e intuições.

É tudo tão simples quando conseguimos sustentar o olhar e manter a consciência tranquila e atenta!

Chego ao seu âmago e você de mão estendida à procura da minha me recebe.

Recebo eu a sua mensagem a latejar vermelha e uma luz dourada  nos envolve, uma cachoeira em que escintilam arcos-da-velha aliança que se renova e espalha uma neblina de pingotas que nebuliza tudo ao nosso redor.

Sentados no chão de pernas cruzadas e o tempo todo à nossa frente, mãos nas mãos, frente a frente, apenas o nosso olhar está presente.

E ao nosso lado, barulhenta, a cachoeira.

Está calor, e a água, que se intui no ar, nos milhares de arco-íris minúsculos que se enxergam se sustentarmos o olhar nesta fervença imaginária que trago comigo das fisgas de Ermelo, do Ézaro ou de Vieiros na montanha que habitamos, flui pelo cenário e a nossa pele sem medida em nuvens d'água que nascem sem parar dentre o barulho e vem ao nosso encontro empapando cabelos e textos por inteiro.

Essa água, esse vapor-d'água, refresca e invade a nossa carne, cola-se à t-shirt, aos calções de verão, às nossas coxas e pés descalços afeitos a longas caminhadas e unindo-se em riachos diminutos compõe gotas maiores baixo o queixo de nós dois que, malandras, escorregam pelo nosso pescoço enquanto viajam a caminho de peitos com mamilos destacados e vibrantes ao som dum instrumento oriental.

Com a pele de galinha bem presente em nossos braços, pausadamente respiramos e pingas grossas ficam por minutos, em cotovelos e joelhos a baloiçar como campainhas silenciosas antes de caírem ao chão que as recebe de coração aberto no seu seio.

Respiração.

Sentados, um gongo chinês na nossa mente interligada marca a pauta de cada tempo de silêncio que se sobrepõe sobre os outros já passados.

Respiramos.

Ninguém lembra quantos ou quanto tempo, ou pensa sequer nesse conceito. Estamos numa outra esfera, num outro plano em que a ordem natural se preenche com árvores que nos circundam, raios de sol que atravessam como feixes de luz branca o espaço em que habitamos, uma cachoeira, um som ensurdecedor e uma pouca erva onde se sentar de mãos dadas sem limites.

Somos peregrinos nalgum outro plano da existência que agora repousam.

Aqui nada existe além do espaço esférico que o nosso olhar enxerga.

Uma águia entra em cena, duas, sobrevoando o pequeno troço de céu de que dispomos e com os seus gritos de chamada e caça logo desaparecem do nosso espaço visual. Aqui não há espaço para as suas aventuras.

Presencialidade.

Cada coisa, cada ser, cada elemento chega no momento certo e parte também quando tem de ser.

Cá estamos nós sem nos mexer ao pé da cachoeira contemplando a nossa eternidade.

Hoje calados numa conexão profunda viemos falar do silêncio partilhado que interessa. Da aceitação do outro lado, daquilo que nos faz sentir verdadeira compaixão na escuta. Ser ouvidos com total entrega, como se fosse pela vez primeira. Gratidão imensa do encontro de alma com alma.

Sim, já tínhamos sentido isso antes, você e eu e milhares de pessoas como nós antes, atrapados na teia de ilusões dos namoros, mas não sabendo tudo que agora já sabemos da vida e de nós próprios.

Aceitação.

Cada coisa chega sempre no momento certo e você e eu finalmente falamos num outro patamar. Aqui não há exigências, mas presença, não dependência mas acompanhamento. Nem você nem eu renunciaremos nunca mais ao caminho próprio por medos ou terrores solitários finalmente ultrapassados.

E que bem sabe a partilha de experiências sem medos ou reclamo.

Não, a força do nosso amor não pode ser um freio para a vida. Ávida cavalga e não há futuro promissor pois não ficará nada senão cinzas e lembranças. Fragilidade humana incapaz de aceitar a imensidão do nada para onde todo e qualquer rio se encaminha.

Que importa isso tudo, qual futuro, se o presente é tudo quanto existe agora mesmo e você e eu finalmente nos encontramos no mais fundo, como nos seus mais íntimos desejos e nos meus e nos de qualquer um que, como nós fizemos, também caminhe.

Cá estamos, você e eu. Você lê no meu coração como poucas pessoas conseguiram e ouve quem eu sou sem proteções, compromisso ou cerimónias. E eu, eu acredito que finalmente também sei por fim quem você é... e vejo-a , como se fosse por vez primeira, como você realmente é.

Sim, como num ato de fé verdadeira eu acredito nisso.

Foram caindo os panos todos, as vergonhas e precauções.

E quer saber? Vejo você a nu ao pé de mim, serena, e eu nu e completo como nunca já não me cubro as vergonhas ou fico preocupado com nada que tenha a ver comigo, ou com você, ou connosco. Vejo nas meninas dos seus olhos o meu reflexo, mas ultrapasso agora isso e atiro-me, entro bem ao fundo do seu poço num mergulho d'agua. Lá está quem você é, de pé, trajando um vestido simples e branco como uma deusa grega. Pés descalços, recebe-me a sorrir tranquila com um sorriso meigo.  Sorrio também eu na entrada, descalço e trajado à mesma maneira, porque gosto de ver você assim plena e verdadeira. Gosto de você.

Gosto.

Gosto muito.

 

17
Jul21

Coração

contosdoeste

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Filigrana delicada que o ourives trabalha

atravessando os mares, séculos, idades.

Entre as gemas dos seus dedos constrói

borboletas

Que a seguir lhe escapam

viajando  

para estantes onde ficam à tua espera.

Das mãos, saem arrecadas

Padrões elaborados

Brindes sempre apaixonados em formas musculadas que latejam.

Faz acontecer a magia,

Entregas, encomendas que escintilam cegadoras

de corações em cofres de cetim abertos.

O meu amor de algum dia

Imagens cegadoras

                                 que faíscam 

Como poesia que invade a tua mente

Enquanto mais uma peça se cria.

Havemos de ir a Viana

Apenas cem passos que separam duas formas de vida, dois milénios,

                          Corações de Viana

Santa Luzia & o Castro unidos por tesouros, Douro, Foz do Lima, Louro, Antas, Ouros,

presente antepassado,

Mouros.

Torques rijos de defesa, estatuto e proteção

transformados em exóticas explosões de luz, entrega e aberturas 

Flores que carregam a mais grande fantasia,

um sol a pendurar no peito 

e arrecadas laboriosas que pingem logo das orelhas...

 

Rabiscos árabes de ouro como renda fina, exuberante, gotejada em cada nó de lindas pérolas invisíveis com mensagens ocultas inscritas entre linhas.

Minúsculas pontas de alfinete que tal e como você e eu são pó de estrelas.

Mar e sol.

Imagens que constroem no teu peito a nu, luxuriante a mais bela das teias.

Amor de flor no peito

Espírito africano envolvido pelas nossas brumas, o mesmo mar a todos fascinara, e se mais terra ao norte houvesse, cá chegaram.

Miragens e longínquas esperanças,

À procura do sol, d'ouro, da pura poesia, do espírito que em sonhos visita a alma humana.

Ensejo,

Que tudo impregna criador 

exótico, árabe e galaico.

Desejo,

De união em carne viva, e de cantigas medievais de amor.

Poesia como nunca dantes vista, em naus trazidas por ventos do deserto que impregnaram velas de peito cheio, bibliotecas, paixões eternas, sonhos, ourivesaria

Engenho,

Misterioso com saudades de aromas africanos e italianos do Sical e Segafredo.

O meu amor de algum dia

E isto tudo que há por trás duma filigrana assim

Abraço, amor d'ouro aos mouros que vieram,

Sol estonteante,

Gratidão

Dádiva de língua excitante, com especiarias

Aromas doutras vidas...

Você e eu a ver o pôr-do-sol desde o areal

Lembranças doutra vida ou do futuro,

A tua mão na minha.

 Latejo emocionado.

Aroma da tua pele sob o metal vibrante,

Presente como nunca

                 Coração

16
Jul21

Luzes doutras eras

contosdoeste

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Eu vi a luz num país consigo próprio encontrado.

E atrever-me-ei a dizer, em contra dos clássicos,

do bom gosto,

e doutros sonhos doentios e abúlicos

(que agora, mortos, consagraram):

Mas que grande fortuna o terem nascido em Portugal.

 

Insubmisso à boémia velha ou abulia nova, eu pertenço a mais uma geração daqueles que esperamos contra toda esperança.

Não venho lhe falar do grande amor, nem das coisas que aprendi nos discos...

Sei, que a vida é feita de pequenos ganhos e nada, nada se compara 

a sonhar vivendo.

Você e eu, sabemos,

que atrás de textos vêm textos e outros textos... hão de vir,

E afinal, inevitável, falarei do mar, de si, do amor maior, do facto de amar o mar imaginado.

Saiba,

Que encontro em você uma fonte contínua de exaltação sonhada,

Aqui,

onde a minha alma é límpida e movimentada.

Deixando atrás o passar desapercebido, Quero,

Fincar os pés no chão, a testa ergueita

(Não, não somos como os simples vermes)

Sou, porque quero ser e sou, aquele que por vontade própria se adapta ao que vocês e eu me pedem, porque assim o quer, 

e desse modo

Ao seu bel-prazer,

desse modo, brilha.

Eternamente um simples aprendiz,

brilho eu, a olhos teus, brilhas novamente, também tu, nos meus.

Partilha este percurso, aqui, ao meu lado, comigo.

Eu,

tenho sonhos tenros, a alma alegre 

E enxergo sem receios, como nunca,

embebido em velhos textos orientais, que contesto ousadamente,

o caminho do futuro.

 

Encontrei-te

no meio do caminho e Aqui o coração é quase tudo,

Um sol que brilha, lá no alto

E que me aquece as entranhas,

Um sol risonho, um sol ao meio-dia em primavera,

Um sol risonho de bota azul e bombazina,

de bochechas generosas, encarnadas

Inocente e brincalhão o seu olhar milenário que escintila,

Um sol a quebrar quaisquer brumas com cantigas.

 

Na sua companhia,

Caminho, assobiando, peregrino

E na minha trouxa hoje trago textos Vagabundos

Escritos a dourado por boémios nos seus melhores livros.

Ouso,

parar em todo o lado, vendendo a quem quiser, remédios...que fabrico com retalhos,

remédios...em troca de beijinhos.

Contemplo,

o como a vida agora se demora.

Sim, finalmente, a vida por fim é demorada.

E faz-nos bem, muito bem está demora, por isso, por favor, não te vás, ainda, embora

Fica,

Mais um pouco,

aqui, comigo,

viajaremos sem roupas estrangeiras no areal, na Praia do Meco se for ao pé da capital, ou se for cá, neste cantinho, talvez em Barranhã

Brisa fresca, maresia

Encontros de mar e areia dão-se, em qualquer outro lugar.

Quem sabe

Hoje

Talvez hoje

(sim, quem sabe?)

sinta a vontade, por um dia

Talvez, sim, talvez hoje

De você me pedir a mão ao caminhar

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