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contos d´oeste

Aprendiz & Caminhante

contos d´oeste

04
Nov22

Caminhantes

contosdoeste

 

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Depois de ler você,

palavras para quê

Para que a poesia?

poetas para quê?

É esta

Rede aonde se atirar

Calor e aconchego

de textos e emoções feita.

Nós marinheiros e urdume

que nos fazem ler entre linhas

Cabotagem, velas cheias

Você,

o meu Porto seguro

O meu abrigo

A minha nau sem piloto, 

margem ou destino certo

 Ondas a bater com força

cheiro a maresia

E no braço a tatuagem

"quando a vontade quer

Abre-se o caminho".

Mar-de-palha em lume vivo, pôr-do-sol

Paisagem, ponte e calmaria

e já o barquinho vai.

E você e eu,

Marujos em terra, abraçados a traçar poemas

num Cascais imaginado, areia e luz de antigamente.

Lume de lareira antiga, cá em casa

Sombras no meu pé-d'reito, apenas

 Palavras simples

São coisas doutrora.

Labaredas a lamber em pedra dantes

Dedos cor-de-laranja, azul, amarelo

Que brincam às sombras chinesas.

 Poesia sim, talvez, cheiro a lenha de macieira

mais uma vez... Quem sabe como o futuro irá ser construído

A partir de agora?

Perifrase dum verbo ir mais presente no modo infinito?

Eu vou escrevendo-nos eternamente nos meus sonhos

No intuito de tocar, 

com a ponta dos dedos nem que seja,

esses que você partilha,

sabia, não sabia?

Os bons mistérios.

Mas quem sabe?

Bolboretas a rodopiar ao calor do lume

Traças entre faíscas, sonhadoras.

Traços de giz, um coração num quadro preto

e dentro dele

Palavras como labaredas, amigas

de cores,

na penumbra da intimidade,

vivas.

 Ou algo muito simples, breve

À espera da correspondência,

apaixonados

 correspondidos letra a letra,

mãos e pés, braços dados,

Você e eu,

abraços, flores, namoro

Coração gizado sobre fundo preto

ou aquilo extenso que eu poderia dizer

Tim-tim por Tim-tim...

Eu mostrar-lhe-ia o que você provoca

em mim dia após dia.

Por enquanto brindemos à amizade,

Tchim tchim!

Um brinde ao Ribatejo, tons vermelhos,

roxo vivo ao exagero

É você já cá está a sorrir ao meu lado,

ou já mais uma vez, como sempre à minha frente.

Nada sei e eu olho você em silêncio e fico maravilhado

O seu corpo, a nu, é poesia

E é o meu olhar quem traz você, a pé de mim

Sou eu quem toca agora, o seu cabelo

E com todo o meu amor dá no pescoço,

um beijo...

Enquanto a música, ressoa.

Sou,

um simples aprendiz

De malandro ou de bandido

Peregrino doutras terras

A navegar à bolina

E ao sabor da maré,

sempre,

Uma é outra vez,

sempre,

sempre me encontro

consigo novamente.

Encontro e paz,

no centro da balança

emoção de sabermo-nos vivos,

você e eu,

 olhos malandros e meigos

Palavras tenras e gentis,

você é eu,  piratas à socapa

abertos ao tempo e às mudanças 

E sangue a aquecer no rosto e veias

Enquanto de novo,

eternamente jovens,

nos sabemos,

Não apenas marinheiros

mas, ao pé de casiopeia e orion

Da ursa e do carneiro,

Gêmeos e peixes, somos,

de novo com os pés em terra

e o olhar para as estrelas,

Caminhantes

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