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contos d´oeste

Aprendiz & Caminhante

contos d´oeste

15
Abr21

À Janela

contosdoeste

luajupiter.png

 

Da minha janela, observo.

A lua no alto

como um sorriso pintado por uma criança

como um pequeno movimento na minha cara

enquanto os meus olhos faiscam, sorriem também.

Brilham a pensar em você,

a olhar nos olhos a você

quando nos deitamos juntos à noitinha, 

após um dia de trabalhos.

À luz ténue do candeeiro uma certeza me invade:

que sorte que eu tive na vida,

soube por fim, parar 

e mais nada fazer além de procurar,

um lugar para mim,

sem me mexer.

Sentado, quietinho como uma rã, sem pressa,

vejo dúvidas a resolverem-se sozinhas

sem eu nada perguntar.

Fico a olhar o céu limpo em que aos poucos desabrocham, a cintilar, pirilampos

pequenininhos, verde, azul, brancos e vermelhos, amarelo pálido, cor de amêndoa, como os teus olhos.

Não foi sorte não, o ter eu batido consigo por mero acaso numa festa das letras. Poesia e música nas veias, que nos fez dançar, beber, refrescar-nos, rebeldes recitando poesia sem mordaças. Não, não houve máscaras no nosso encontro e foi assim, numa versão jovem e confiante, que as nossas almas se avistaram pela vez primeira.

Eu sei que o amor é uma coisa boa, e sou eu que hoje pressinto que boarei à moda do norte, até você, nesta viagem, de alma limpa, inocente e de olhar renovado e experiente. Escrevo de olhos fechados, às escuras comigo próprio, este meu poema para nós, romanceado, e é neste mesmo ponto, na última das vírgulas que irei escrever hoje (ei-la que já lá vem, pressinto-a e deixo que se aproxime, sem pressa, acompanhada dum pequeno pontinho) onde sei que pousarei a minha caneta.

A minha escrita cala, nada diz da sua companhia, mas sem poder evitá-lo esclarece-me, tranquilizadora: saiba, o ponto é para não se sentir uma vírgula no fim dum texto tão sozinha.

Calo também eu e continuo a rabiscar este final apenas para contar, enquanto tu já dormes, que é aqui, nestas linhas, que me entrego, de coração aberto , ao nosso abraço, a você, enquanto eu também me deito, ao seu lado, ponto e vírgula sonhador, em silêncio;

 

 

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