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contos d´oeste

Aprendiz & Caminhante

contos d´oeste

13
Mai22

Talvez ali, nesse lugar

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Se porventura você estivesse à minha espera, ali nesse lugar.

Se porventura você estivesse à minha espera, ali na praia,

talvez eu chegaria até você depois de ter atravessado o mar... desertos, e montanhas,

e vales e penhas douradas.

Depois de mergulhar nas profundezas e ter vencido medos e terrores doutras eras já passadas.

Talvez depois de navegar aos quatro ventos à bolina, e de quebrar meu barco contra o inesperado, talvez, eu náufrago, eu de pés descalços entre as brumas, num entardecer distante doutra vida, talvez num sonho, talvez iria eu calcorrear em linha reta em direção ao seu encontro.

E se você estivesse ainda ali à minha espera, em silêncio a remoer dúvidas ou desejos olhando para a espuma branca, e vontades ou convicções sobrevoando o firmamento como gaivotas livres tatuadas na sua alma, ou simplesmente em silêncio e paz, serena e à vontade...

eu chegaria ao pé de si e dir-lhe-ia, como se fosse em sonhos, finalmente toda a verdade.

Ouvir-me-ia contar, talvez num exagero, que eu nunca conheci ninguém como você, ninguém que vibrasse dentro de mim com tanta força e sintonia, e você estaria ouvindo por fim aquilo que talvez você deseje ouvir e que você...sempre soube... Ou, talvez, já saiba.

Sim,

se você estivesse lá, confiante,  na sua paz renovada e amor pelo silêncio, ali no meio desse leito arenoso, onde você cultiva flores e amizades, sonhos e fotografias belas que depois transforma em lindas aguarelas,

ali onde rabisca na areia rascunhos das suas melhores ideias ...

Ai se você estivesse ali à minha espera!

Ou se voltando dum dos seus longos passeios solitários, me encontrasse você a mim inesperadamente ali sentado à sua espera,

como se tudo em mim fosse um último poema,

ali, sentado,

Ali, por trás das dunas, ali onde ninguém mais sabe que se esconde o nosso lago...

então eu talvez caminharia até você  e dir-lhe-ia

O quanto eu gosto de você

E você, rir-se-ia, é claro, da minha declaração desajeitada, ou do inesperado do momento e, malandra, olhos a brilhar, brincando cum sorriso meigo, enquanto colocasse talvez nervosa, talvez o seu cabelo atrás da orelha, ou talvez beliscasse ainda a sorrir o seu lobo direito num lindo gesto, talvez você diria que não acredita em mim ou talvez exigiria, para ganhar tempo, uma outra demonstração de amor qualquer, mais louca.... noutro momento.

Talvez esperta e sábia como alguém que sabe desfrutar dos bons momentos, "Shhh", colocaria, um dedo nos lábios a exigir silêncio...

e respeito pela magia desse encontro belo.

Se assim fosse, talvez depois você sentar-se-ia, no topo duma duna ao pé de mim 

e os dois sentados em silêncio, lado ao lado, iríamos olhar durante horas, talvez, o pôr do sol chegar...

Talvez nalgum momento você pousasse ali a sua cabeça no meu ombro, e talvez dali a um pouco me ofrecesse a mão. Quem sabe talvez depois você se aconchegasse nos meus braços 

ou simplesmente me convidasse para diante de mim eu a abraçar e aconchegar.

Ou talvez se risse de tanta cerimónia tão fofinha e saísse simplesmente a correr sem avisar : vê se me apanhas!

E quando eu depois chegasse, ofegante, a correr à passadeira de madeira onde termina a praia ... Talvez você estaria ali à minha espera, ali ao pé.... da carrinha dos gelados.

E de sorriso cheio e sol na cara, a segurar um pacote sem abrir da Olá pra mim ... você estaria a mordiscar pedaços de chocolate estaladiço daquele que escolheu para os dois, só para troçar de mim, (e que eu por acaso adoro pois me devolve à infância). E rindo eu também com essa inocente brincadeira, abrindo o meu gelado enquanto você cada vez se risse mais, ali, como crianças a brincar na areia, os dois estariamos rindo, talvez às gargalhadas, talvez como crianças, sem poder parar.... cada um

com o seu perna-de-pau da Olá na mão 

 

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