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contos d´oeste

Aprendiz & Caminhante

contos d´oeste

05
Fev21

Gaiola aberta ao mundo

contosdoeste

 

 

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IV Remédios para não ter medo das alturas

Novas letras, novos sonhos

Chamam por sair pra fora

e empurram-se

aos cotovelos,

Tantos anos a esperar...

Quereis luz, quereis calor,

falar, falar, falar,

tanto sem serem ouvidas...

Sinto amigas, eu compreendo,

mas vou exigir silêncio

 para atender a partida.

Será só por uns tempos,

fiquem tranquilas,

Mais viagens virão logo (eu prometo)

Mas agora: silêncio, atenção!

Sejam bem comportadas,

por favor, deem-se a mão.

Vamos sair a voar,

apertem logo os cintos,

(pouco posso adiantar hoje)

segurem as malas,

outras terras me reclamam.

Confiram a passagem,

atender tudo de novo.

Não esqueceram nada?

Ligo quando aterrar, tá?

Sim, sim, escrevemos ao chegar

não se preocupem.

Sei que não será de aves

de toupeiras, ou namoros,

é um tempo todo novo

no qual já seremos lobos.

 

Subi a minha gaiola ao topo, ao avesso,  lembram?

Eu tinha uma casa-árvore

coloquei-a como uma parabólica,

Com parafusos e ferros

 na madeira viva;

fui pouco poético,

Urgências do momento.

 

No meio da noite, quando o silêncio domina o mundo,

recebe ondas em sonhos, 

emoções do universo,

Veias abertas d'árvore ao pulsar da via láctea.

Lágrimas de são lourenço vêm cair nela em agosto,

A minha .... grade? Antena? gaiola?

Coiso de ferro. Algibe cheio.

O meu algibe fica sempre

 cheio até transbordar.

Seiva que se renova

Árvore que não chora

Hidratada, corajosa

Casa-árvore com depósito.

Tem água que baste, tem sombra.

Calor e frescura.

Tem ninhos de passarinhos,

já disse noutro poema

Tudo isso ela tem.

A minha árvore, o meu algibe,

fui eu que fiz para mim

E pra quem vier por bem.

Pode

aconchegar-se aqui comigo

Dormir uma sesta ao abrigo

Jantar uma ceia inventada

Ouvir chover no telhado,

Abraçados

Olhar a planície do alto

Com um vinho

Ou simplesmente respirar,

estar presente,

Sentir,

                                        tocar.

Ouvir a energia

dessa

          água

                 sagrada

de conchinha

                         ou a ver tv.

Agora é pra ficar

num lugar a salvo, real

não há princesas nem reis.

aqui são todos iguais,

só uma pessoa é especial

(pra quem guardei meu anel)

de resto podeis vir cá

e desfrutar do que há

Estejais feitos de sal,

de leite

açúcar,

ou mel.

Quando vierem pelo caminho,

sós ou acompanhados

não tenham medo,

não façam caso

desses latidos agudos,

são gritos de pura alegria

(você  de facto já conhece,

sabe bem do que é que falo)

é a nossa cadelinha alegre

a latir e abanar o rabo.

 

Aqui têm o meu algibe

a minha casa, o meu refúgio

o meu leque de poemas

vagos

o meu coração aos troços.

Já sabem tudo que fiz,

que quero,

que consegui,

Já viram o que havia para ver

Já viram que sou feliz.

 

Não fica mais o que dizer

só me falta despedir

à maneira, cá do norte,

sairemos a sorrir.

Vamos lá a isso amigas

Venham as canções antigas

dessas que todos sabemos

para vos desejar muita sorte.

 

E que cresça o pão no forno

E a graça pelo mundo todo.

 

Foi bordado com carinho

Com um carinho especial

Deixei de molho os poemas

Antes de os vir partilhar

 

Vai de namorar meu pano

rimado a brincar a eito

para que cantem nossas filhas

e saibam amar-se com jeito:

namorar.jpeg

Coração por coração

não desistas amor do meu

olha que o meu coração

sempre foi igual ao teu

 

Aqui tens meu coração,

fica aberto sem ter chave

se quiseres mete-te dentro,

aqui mais um sempre cabe

 

Seja o que tu escolheres

eu sei que vou ser feliz

sabendo que você está bem

e você é livre assim

 

Se quiseres andar comigo

amor não fiques com medo

seremos mui bons amigos

não será nenhum segredo

 

Amo tanto, tanta gente

que não me posso entregar

se não perceberes isto

desiste de cá ficar

 

Minha avó já teve filhas

Sua filha pariu-me a mim

O homem não é meu dono

Sou livre de decidir

 

Meu pai não será meu dono

Eu não sou sua princesa

Sou uma mulher inteira

Sei bem o que me interessa

 

Eu sei me comprometer

Sou eu quem decido quando

Se não tiver liberdade

Contigo não quero trato

 

Não quero ser uma escrava

Daquilo que sentem outros

Eu sei o que sinto eu

Aqui dentro colhem moitos

 

Todo este amor que sinto

Não me ata com meu bem

Não me faz ser para sempre

Propriedade de ninguém.

 

Tu nunca serás o único

O amor não é prisional

És o meu melhor amigo

Serás o mais especial

 

Já sou livre eu sozinha

Amar também é ser amado

Vamos lá ajudar a todos

A quebrar com o passado

 

O homem que me compreenda

Será também homem livre

Deixará atrás o passado

E andará em bicicleta

 

Eu sei me comprometer 

Com quem me souber cuidar

Eu também te cuidarei

Se me souberes amar.

 

O meu amor é infinito

Não é feito de papelão

Atende bem meu amigo 

Eu falo do coração

 

Sete e sete são catorze

E mais sete vinte e um

Tenho sete namorados

Já não tem ciúmes nenhum

 

Livre sou, livre serei

ninguém já me poderá atar

não faz sentido ficar

se isto não quer abraçar

 

Boas gentes desta terra

Amem-se em liberdade

Vida não temos outra

Busquem a felicidade

Venho dar a despedida

com amor e alegria

boas gentes que me leram

agora vem a partida

 

Mudanças não são castigos

Pois a vida sempre muda

Ajudem os seus amigos

E cuidem da vossa vida

 

Foi bonita a festa, pá,

Foi bem grande a folia

Deixo aberto o coração

 aprendi da minha amiga

 

O meu coração abriu-se

Já não tem nenhuma grade

Vai ser coração inteiro

até que está vida acabe

 

Aqui tens meu coração 

Mais já não se pode abrir

não tenho mais que te dar

nem tu mais que me pedir

Já se acaba este cantar

já conclui está cantiga

Muito boa noite senhoras

vemo-nos numa outra vila

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