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contos d´oeste

Aprendiz & Caminhante

contos d´oeste

03
Fev21

Gaiola de saudades

contosdoeste

IMG_20210131_162255.jpg

 

III Remédios para partilhar frutos duma gaiola

No inverno, a promessa duma semente,

ou duma estaca, parecem pouca coisa ao olhar inexperiente.

Lavei a grade-gaiola,

Pus estacas aos lados, prioridades

cordas firmes,

convicções, 

Fiz da gaiola um balanço.

Meti-me dentro, estico o corpo

todo, braços atrás, mãos na nuca,

olhada ao alto,

estrelas,

no meu balanço vejo as noites passar.

Dava até vontade de voltar a fumar.

Uma cadela que amei

 salta dentro do balanço

senta-se ao meu lado.

Sei que está morta há muito tempo

Fui eu próprio que a enterrei

mas tudo faz ainda mais sentido.

Conto tudo para ela, olhos nos olhos,  imagens, sem palavras.

Nunca fizeram falta palavras

pra nos entender

Encosta-se a mim mais um bocado,

Abraçado a ela, olhamos para o céu.

Os meus propósitos são como uma estaca novinha de sabugueiro, 

espetada no chão firme das minhas prioridades.

"Em novembro sempre prende"

diz a vizinha,

o sempre-verde,

dizem as gentes da montanha.

Lembras-te?

Fomos tão felizes lá.

Foi tão duro abandonar.

O meu sabugueiro salta na linha do tempo, é grande, centenário,

Sábio

já deu flores em janeiro.

Já trouxe alguns frutos,

Já remédios caseiros.

Bieiteiro, bieito, sabugueirinho....

Quantos nomes pode ter um mesmo ser? Quantas vidas somos capazes de viver? Quantas vezes começar de novo, renascer?

A estaca fez-se árvore,

está a ficar grande,

como uma casa,

Juventude é um tesouro

como uma casa-árvore

Está na nossa cabeça

e no interior

Eu sei que não conseguem ver daí, desse lugar,

eu compreendo, é normal.

A minha arvóre tem uma porta, e janelas,

tem ninhos de passarinhos, campainha, chaminé,

Farão falta mais de quatro pessoas para a abraçar,

assoalhadas,

uma lareira linda

sala de jantar,

Ai, e a cozinha!

Com pratos sempre prontos

e com caril,

salsa, pimenta, alhada,

Gritaria de andorinhas a entrar pela janela

abacaxi, fondue, bananas

Camas, 

Corpos que se amam

 se desejam

Dá pra imaginar as camas e os seus lençóis de Casa Alvarinho? 

A lareira num cantinho?

Pronto uma casa-árvore

Como o meu coração,

sem chave na porta

Qualquer um pode vir

Há chá sempre quentinho

E um lugar,

uma mantinha, no cantinho

ao pé do lume,

para ti

Cadelinha, tu sim?

vens comigo viver ali?

E o que achas?

Virá ela de visita, ficará um pouco, será feliz?

Tenho tanta energia, tantos planos!

Vou subir este balanço primeiro para a copa,

é um orgulho, já não oculto o medo, a dor, os ferros. 

Cicatrizes são lembranças, compreensão, entrega. 

Só se cura uma ferida se estiver bem limpa, 

arejada,

por isso mostro bem à vista,

Assim tiro-te todo o teu poder. Bebo-te, reduzo-te, dou-te novo uso gaiolinha

Já vais ver

vou fazer um terraço ou sei lá

Va-se lá saber que farei,

com estes ferros na copa,

Já fui operário,

sou construtor

ver no que isto dá

Ferros, parafusos,

furos na madeira, dor.

Mas que vai pro topo, vai.

Não fujo, não

Eram só ideias a flutuar

Faltam coisas por contar, 

Saudades por matar

 Morangos com chocolate e sêssamo

aguasmestas

Rípias, um sequeiro

(Outros chamam de fumeiro)

Sexo, castanheiros

Abraço verdadeiro

A cochilar eternas sestas

Energéticas,

sexuais....

Foram vidas tão nossas.

Cá não há truques,

nem atalhos

só vontades

de corpos

dourados

Aceites,

azeites

Suados

Soidades 

quebradas

saudades

de camas

a voar sem se mover

Ondas do mar

em imagens

trança louca

A navegar

Numa trença

Sagrada,

Unidos

Lembranças que carrego 

me abraçam

Fartura

           de

                 me lamberes

Sonhada

                       Recordações

 me perdem 

De seios,

de frente, de costas

como quiseres

Nádegas, cabelos

Lóbulo esquerdo

Um pescoço branco

massagens,

Uma risada,

sempre o riso.

Coceguinhas, um gracejo

Olhar meigo, a cavalgada

Nas tuas coxas me perco

gritos de madrugada

Útero que me chama

                             Eu entro

E tudo desaparece,

os lençóis, o quarto, a cama.

Os corpos flutuam,

rodopiam,

não sei onde a cabeça

onde os pés da cama

bocas que se amam

Mamilos,

 é tão bonita essa palavra.

Não conto mais que há crianças

Preservai as descobertas

O passado é um tesouro

que não volta mais

O presente uma prenda sagrada para desfrutar.

O amor é tão gigante

 que não pode estagnar.

Quebrai os muros das barragens,

Rios são pra navegar

Rio Côa, Sela, Tejo,

Gotas pelo meu peito

Minho, Douro, 

Monelos,

Vapor que sai dos cabelos

Rio Lima, Návia

Lor,

O dia inteiro a fazer amor,

Exagero

Ribadéu

Bebo-te

Mandeu

Fico por baixo 

No galope, na barca, no teu olhar

Dissolvo-me contigo na lembrança

Nada é eterno,

apenas o amor do momento

e o abraço de depois.

Matar saudades,

que expressão

sex is about to be slow

Sou barca que avança no mar

Trovoada, ondas desatadas, 

Shhh, calma,

Moisés a apartar as águas,

fica aqui nesta meseta comigo

Botão aberto em flor,

Órgão teso contra o meu umbigo

Desce devagar, roça-te comigo,

eu subo,

milímetro por milimetro 

O desejo é duma eternidade indescritível

Órgão de prazer que já me abraças

da cabeça até às raízes

e me envolves

o sexo

Sugas-me de novo em sonhos

Envolvo-me contigo

Apertadinho

Perco-me

Um novelo,

De emoções,

um sarilho

Que faz aqui este pé?

Lambo os dedinhos

Não são imagens para sofrer,

Mas pra gozar.

Vejo o futuro e sorrio

 Vai ser tudo ainda maior melhor gigante

Mais intenso, pleno, animal.

Outros prazeres virão,

Vejo o futuro e abre

                                   -se

                                         -me

o coração e aromas me atordoam

Falta tanto por viver,

há tanto pra navegar,

Amigas,

quem quer comigo viajar?

Libertei-me dos grilhões

Sou boi indomado,

sou garrano empinado,

Experiente

A minha força interior me obedece

paciente

Ao meu mandado dança

contente

                a minha chama

No meu corpo renovado,

 já cavalgo.

Enxergo o futuro

Confirmo,

Já vou a caminho

Mas por hoje não.

Hoje

É já suficiente

com matar lembranças.

Freio, volto, retrocedo,

não tenho presa, urgência, medos.

A vida a abrir-se em flor para mim

Orchidea, baunilha, amora, alecrim

Mas hoje lembro-me de ti,

Que importa,

a vida que fique à espera

Menta, camomila, jasmim

 cheiros que me invadem

Três sílabas,

cidade da luz

Lisboa

caril

aromas

São Pedro Alcântara,

Saudades

Lisboa inteira, cheiros, flores

que me encontram, que alegria

Vida que me chama, sai 

Sai ao caminho, vai.

Mas hoje não,

Um passo de cada vez

Ler devagar,

linda livraria, fechada

é a vida

Príncipe Real,

café na esplanada

Respira

avançar aos poucos

Aos poucos mudar

amar devagar

Aprontar, cuidar, proteger

Lembra

Amar é uma coisa boa,

medos fora,

Eles nunca nos venceram

 E o futuro é aberto pra nós

que somos jovens.

 

 

Sei que não se vence uma dor

em dez semanas,

Por isso

volto ao início, ao momento

em que estava.

Fico contigo está noite

fazes-me tanta falta,

sem condições, 

companheira

demoro-me aqui,

Repito pra que não se percam:

Hoje fico por aqui,

Meu amor incondicional,

E eu contigo.

Olho para as estrelas

aconchegado ao teu lado,

Na minha gaiola-balanço.

Eu abraçado a ti,

cadelinha, companheira

e tu...

Tu deitada

a abanar o rabo.

 

Quanto partilhei contigo!

Fiel companheira nossa,

gratidão Mominho

Até sempre,

Obrigado

 

(Muito em breve, Conclusão: IV Remédios para não ter medo nas alturas)

 

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