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contos d´oeste

Aprendiz & Caminhante

contos d´oeste

10
Mar21

Qualquer coisa como intimidade

contosdoeste

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Ele sai de novo em bicicleta mas o sol hoje não veio nem virá.

Acelera o pedalar

rápido,

mais rápido, mais rápido ainda.

Hoje não se encontra nos seus eixos, dúvidas, medos, esgotado, exausto

precisa fugir, não sabe o porquê, asinha. 

Bem,

assim está melhor,

longe de casa,

Corrida veloz, ar na cara.

Sobe e desce pequenas colinas

faz frio e um ar húmido que penetra nos ossos escorre pelo corpo todo. 

Vai agora no planalto desde há uma meia hora num pedalar pacífico mas ali no horizonte enxerga-se já uma descida 

íngreme, que parece não ter fim. Começa a descida, é tudo a puxar dos freios cada pouco e sem pedalar o som da corrente acompanha o percurso.

A pista vai-se fechando de árvores enquanto ele avança e aos poucos entra numa nova floresta. 

Mais frio, mais,

curvas

e voltas e mais voltas, 

a encosta é a pino.

O arvoredo já se fecha. 

Ouve-se um trovão ao longe. Fica ainda tudo mais frio.

O seu bafo é agora branco, espesso.

Já está perto do rio, tem de haver um rio lá embaixo, há sempre um rio.

Surge uma pedra pequena, de ponta, não dá tempo a contornar.

O estouro, a queda, uma roda que se estraga 

uma outra pedra

grande

quebra o capacete e como num filme, as imagens da queda passam a câmara lenta e tudo fica negro.

Acorda, dor de cabeça, é de noite, não se ouve alma alguma. Um rego próximo a correr forte que, este sim, gorgulha forte, a crescer, chuva torrencial, trovões, tão escuro que quase parece noite... E nem passava de meio-dia quando saiu. Ou será já de noite? Tem numa perna uma grande dor, coxeia, assaduras e picos das silvas pelos braços, um joelho esfolado,  a roupa, a pele, rasgada.

Arrasta a perna entre as ervas encosta a bicicleta na berma, o veículo inútil com a roda furada ali fica. Pensa nas alternativas no fundo desse vale. Meio tonto abriga-se como pode. Procura com o olhar sem esperança e acha, pode ser? Um refúgio pequenino, por baixo dumas pedras elevadas, num saliente do terreno. Senta-se ali nesse aconchego no chão, enchoupado, com frio, bebe uma pouca água e deixa vagar os seus pensamentos e começam eles também em enxurrada...  

Quando nasces pertences

e tudo faz sentido,

os valores, as violências,

as regras da tua pequena tribo.

Depois ao cresceres acreditas

firme

nuns valores,

entras num coletivo,

seja qual for, não interessa,

aí vocês são especiais, autênticos, modernos. Acham-se na moda, ou na marginalidade atrativa. Moteiros, gentes do Ioga, esquerda, lutas sociais, não interessa....  é tudo na mesma.

Acreditam estar a mudar o mundo, ou talvez descer do barulho?

Talvez apenas não queiram ser cúmplices, o que já é alguma coisa.

São uma unidade com outros, revolucionários, iluminados, felizes, sentem-se parte, contentes.

Talvez tomem drogas, ou leiam livros, façam músicas ou vejam grandes filmes ou usem uma língua proibida. Ou tenham muito sexo, aventuras, viagens. Desportos radicais, praias, vivam a noite.

Andar de mota, correr, ou ler constantemente,

qual a sua adição mais sugestiva?

E sobre todas as coisas a procura dum sentido pessoal, coletivo, ser especiais, diferentes, verdadeiros. Que procuramos fora quando e só fugir das carências?

Como consertar o mundo com a alma em mil pedaços?

Crianças a comandar navios nucleares, ousados, atrevidos, inconscientes. Que nem sabem mudar fraldas e a lutar em guerras de classes, paz entre povos, e quem fez hoje o jantar às crianças?

cgtp, ami,

apu, cig,

Restos da ditadura que ainda fede

Mário Branco,

Mulheres em negro

insubmissas

Vilar Ponte, Homens da luta,

Insubmissos presos

Rosalia, as três Marias,

feministas

mulheres revolucionárias,

capitães dum abril que nunca chega. 

Maria da Fonte, a Patuleia, sempre a perda

O fracasso, a eterna espera

Pra que eu vença tu te deitas

Todos sabemos já que nunca venceremos nós

E não, nunca poderemos pagar a vossa fome de outrora, nossos ancestros

Fome de liberdade e fome simplesmente fome.

Fome, quatro letras grandes como todo um planeta.

Na frente uma estrela, e no bico...

pouca coisa, um cantar,

Músicas que nos confortam, confirmam, conformam, contornam, constroem, envolvem.

O foucinho, o martelo,

faixa azul a navegar

Venho dizer-vos que não tenho medo

Ferreiros dum mundo melhor

A verdade é mais forte que as algemas

Samsara que nos atrapa

É a Roda da vida, budista

Que quer cegar o amor todo, à nossa vista

Almas gémeas moram em qualquer cidade

E é na partilha livre que se reencontram, abraçam, amam.

Estudantes-trabalhadores,

Repúblicas, as barracas

Tenho mais de mil amigos

que grande fantasia

Aqui não me sinto só

Reforma agrária,

aliança camponesa e operária

Comuneiros

A parcelária sempre atrassada

Monte em mão comum

Redes de apoio mútuo

Tudo quebrado, 

eucaliptos e ventoinhas, tudo contaminado.

Querem maior reforma agrária, maior layout?

Nossa primeira tarefa é ocupar toda a terra improdutiva e nisso andam. São sempre mais rápidos do que nós.

Agora ser camponês é só para empresário e pra ter dívidas eternas.

Esperamos contra toda esperança

Bloco de comunistas,

Partidos da esquerda verdadeira.

Bases constitucionais,

MFA

quantos sonhos herdados,

quanta dor oculta,

e como pesam.

Ambientalistas,

anarco-veganos

ou simplesmente

eis o nome, agora chega,

independentistas na Europa

Soberania contra o fascismo

que alastra pela Europa

Eternos navegantes sem cais

a navegar à bolina

galegos ainda.

Samsara que nos atrapa

É a Roda da vida, budista

Que quer cegar o amor todo, à nossa vista

Almas gémeas moram em qualquer cidade

E é na partilha livre que se reencontram, abraçam, amam.

Livre determinação é a nossa dor coletiva

Qualquer coisa tão íntima, profunda

impossível não trazer para a partilha

Sou espanhol? Sou português? 

O que dizer, galegos?

Vivos ainda contra vento e maré

num reino medieval

com o peito nu, a testa erguida frente ao mar

a suportar tempestades de sal em silêncio

fugindo do vento do leste

que ule que cheira

Mal.

Que cheira que fede.

Que fede

que não mais se aguenta.

A usarmos línguas proibidas,

Não somos nada

escritas proibidas,

Nunca seremos nada,

leituras proibidas,

lembranças proibidas,

À parte disso temos dentro de nós todos os sonhos do mundo,

Sentimentos de pertença proscritos

passagens de fronteiras interditas.

Vê-se muito bem na mesma leira,

Portugal batatas, Espanha cebolas,

se não acreditarem em mim, procurem na raia,

ouvi contar a um grande amigo,

enfim...

na raia sinte-se bem o pouco que é um estado.

A mesma língua, as mesmas gentes, os mesmos cantos,

diferentes comandos,

Diferentes afetos, sonhos,

legados, projetos, anseios,

vergonhas, medos.

Como contornar isto em qualquer poema sobre mim, sobre nós, marinheiros a navegar no Atlântico, a bogar, morar, amar, namorar, a sonhar em mares-de-palha encontrados.

Afinal em tudo estamos no esquema, pertença aos perdedores,

a quem fracassa,

não sermos mais do que os restos dos restos dos restos da história

sempre contada por outros.

A fruta continua e nós a comer latas de sardinha frias, molhados,

fato macaco gasto, no andaime baixo a chuva, na leira com o sacho baixo a chuva, no escritório de janela aberta lágrimas nos olhos a ver a chuva, em casa, homeworking sem dinheiro para arranjar o telhado e a entrar a chuva.

Conciliação é apenas de novo mulheres invisíveis que de novo estão em casa, sozinhas e crianças sem escola nem partilhas.

Lay-off é só um lay-out bem tapadinho, ou que se pensavam?

I´m sure, of course,  off-shore, pensaram na tradução? Longe da costa, inacreditável. Lay, Lie, Liars lawyers

 pronto,assim fica tudo tintim por tintim.

Palabrincam connosco todo o dia

e além de trabalhar nada se passa,

palavras doem mais quando traduzidas.

Homens, mulheres que lutam, marginais

A ouvir a rádio mais perto do mar 

Estrangeiros na própria terra,

De aluguel nas próprias casas,

Sempre à prova, no mês primeiro, temporários no mesmo trabalho

 de  há quinze anos,

Recibos verdes de miséria

quanto sacrifício, quanta energia gasta. Não há caminho para a paz, quer dizer, entendam-me,

A paz é o silêncio. 

E o silêncio é o caminho em que, ao ficares sozinho, o medo te atravessa.

Samsara que nos atrapa

É a Roda da vida, budista

Que quer cegar o amor todo, à nossa vista

Almas gémeas moram em qualquer cidade

E é na partilha livre que se reencontram, abraçam, amam.

Quantas pessoas a fugirem do silêncio, a correrem para o encontro, a encherem como for o seu tempo. Cá vamos todos a sobreviver à custa do corpo, da saúde, da própria vida, das infâncias, do tempo. Escravos modernos.

E sozinhos.

Cada um no seu cantinho.

Tarde de mais é já um exagero para a ousadia de olhar sem se mexer, em silêncio.

Cedo de mais você não está pronto, não percebe, é como quem diz um rapaz muito pequeno.

Afinal a vida muda talvez e só com os acontecimentos. Deviam perguntar antes do que os anos: Quantos filhos? Quantas mortes? Quantos amigos perdidos? Quantas doenças, quantas dores? Quantos corações? Quantas vezes iludido? Quanto é que aprendeste meu amigo?

Quantas pessoas é possível amar ao mesmo tempo? Quantas?

O tempo passa rápido de mais?

Ou devagar de mais se for para nós enfrentar a ele.

Já acreditei em tudo e não é verdade nada. 

Disciplina e sacrifício, cristãos

Disciplina e compromisso,comunistas

Liberdade e autogestão, libertários

Entrega, entrega, entrega

Trabalho, trabalho, trabalho

um presente de luta

 por um futuro que nunca chega.

Paul Lafargue não era idiota, mas sim um palhaço.

Por baixo do asfalto há apenas pedras, confiram se quiserem. 

Solidão ao poder, a anielação no comando

quebraram-se todas as redes tecidas por milénios.

Deserto verde, águas estagnadas, herbicidas.

E não, não se pode ajudar os outros sem cuidar de um próprio, soube sempre muito bem.

A vida nos mostra o caminho em embrulhos de cetim que logo esquecemos

ou em socos que já nunca olvidaremos.

O encontro com um propósito, um próprio, o mais difícil, virá pra si também com violência, não há outra maneira: viver consigo. Sozinho. Mais nada. Aceite. Sermos autênticos, o que quer que isso seja. E só assim será alguém que valha a pena para você mesmo.

A alegria de observar o passado, olhar atrás, ficar bem com a caminhada

só pode vir da paz de habitarmos nós próprios a nossa morada.

Que trocarias tu ó moribundo que já olhaste a morte aos olhos?

Talvez palavras altas de mais, quiçá alguns gestos?

Brutalidade? Talvez silêncios?

é terrífica a sua força.

A dor de se sentir ignorado?

Abraços que ficaram sem se dar? Podem ser beijos?

Olho em paz àquilo que fui, como era criança até mesmo ontem, como a ansiedade me vencia, como agachar carências no trabalho, viver para o trabalho, o relato, a coerência,o compromisso o compromisso, sempre o compromisso, com uma imagem nunca questionada.

E depois o quê? O nada.

 

 

E depois do nada, a trovoada, uma enxurrada intensa como não houve outra igual,

que lave os corações, as vergonhas os medos.

E quando se for embora o varredor de tristezas,

o aguaceiro a lavar as almas,

a primavera.

 

E quando vier a primavera,

se eu ainda estiver vivo,

será a cantar e com uma taça de vinho

que receberemos o sol, as flores florirão,

e as árvores nos darão a sombra necessária aos abraços amigos.

Sinto uma alegria enorme ao pensar que a minha vida

é para mim que tem verdadeira importância e isso é suficiente.

Quando vier a primavera,

se tiver sorte, verdadeira sorte,

o Valdemar Santos recitará nesse dia o meu poema, talvez a sair no youtube ou assim,

e eu viveria contente,

aqui, onde ninguem me põe a pata encima

aqui neste lugar dentro de mim

em que a terra de onde venho é só onde moro

em que a língua que utilizo não é interdita,

estrangeira ou um sonho

e este lugar tem nome,  onde o sol vence

aqui minhas amigas onde eu ganho

e construo de novo e sou outra vez o dono.

Aqui quando vier a primavera,

eu sei que ainda estaremos vivos,

e será a cantar alegres pelo vinho

que receberemos o novo sol de agosto

e se for para ser, que seja agora,

já no presente,

ter a eternidade para nós todos

pois quem decide é sempre a vontade

Sobre toda e quaisquer amizades sinceras.

E há lugar neste recanto para as amizades todas

sem nunca obliterar nada,

Sempre assim,

Mesa posta, sol no alto, alegre

Pão e sobre a mesa vinhos

Pois nossa é a terra que já tem nome, é a terra, a terra dos passarinhos.

 

tuutuuu, um apito, por cima da trovoada.... tttttuuuuu. um apito de carrinha de caixa aberta portuguesa a vasculhar a estrada....um megafone humano, uma voz grossa, um homem, um amigo a gritar por ele, já quase afónico. Sai do seu esconderijo, toca a campainha da bicicleta, grita, berra um berro grande.

Aqui!

Chegam. Um abraço a quebrar quase as costelas. Água por cima de nós que nos entra pelos olhos, olhar embaciado, abraços, mãos pelos ombros, amigos, camaradas. Uma garrafa de álcol que queima, faz tossir, mas que aquece. Brincadeiras, risos, amizade sincera. Atiram para a parte de trás a bicicleta. Vão lá mais pessoas conhecidas, amigas.

Viemos-te visitar de surpresa e não estavas lá em casa. Que mau aspecto tens, bebe mais, troca a roupa, tens aí uma muda e vamos é já para casa, anda, despacha-te!

Ah, e tu nem sabes ainda, pois não? Tens ali alguém na porta à espera!

Como? Quem será? Sei lá, é uma amiga portuguesa, que anda à tua procura e tu aqui neste boco a fazer sabe-se lá o que além de apanhares um constipado. Como não vieste a andar? Há coisas mais importantes! deixaras a bicicleta atrás... Atende ao que interessa, anda lá homem...

Que grande a bebedeira, dois anfitriões que por fim se entenderam de mãos dadas, com o anfitrião em casa sentado ao lado da anfitriã, machucado, sem se mexer, a rir das anedotas, a cantar, a beber numa cadeira e a olhar frente a eles, olhos nos olhos, muito alegres à sua nova amiga, por vez primeira em frente, mas à mesa. Entre os amigos, já descontraída, como se fossem todos de velho conhecidos, não compreende como, nem porque, mas lá está ela também, e também a rir contente com os amigos.

Há coisas doutras eras, bem profundas que nos ligam, mas quem entende o quê, o como, o porquê? Qual a razão de tão profunda ligação?

Sei lá,

love is back,

a música que soa na rádio de Cascais

love is back,

e envolve o ambiente.

E rir, rir de alegria partilhada pela vivência em que estão todos presentes, cientes.

E ali pertinho, pois já comeram antes, noutra sala os filhos. A brincar ainda os pequeninos, e os grandes como sempre no seu mundo próprio a sentirem-se os modernos e a nós, antigos...

Quantos amores podemos ter numa mesma vida ao mesmo tempo e tão diferentes? 

Agora deixem dar um bom conselho pois não é meu, eu só repito, que sempre se dão de graça. Sei, inútil dormir que há dores que não passam. Mas é breve, apenas isto:não importa onde é que você se encontrou antes ou agora, com a sua tribo, ou com qualquer um verdadeiro amigo, nem o longe que agora estiverem na verdade. Sabem de si, estão consigo. Nunca estamos sós nos maus momentos, há sempre à sua procura os bons amigos. E sempre há também novas alegrias, novos encontros, novas ligações desconhecidas. Trilhos nunca andados, almas que se encontram, que se abrigam. É talvez termos apenas a coragem sem vergonha e manter o fio.

Apitem sem vergonhas ou reticências que eles logo vêm, toquem amigas, amigos, companheiros uma e mil vezes a campainha. A alma une mais do que as ideias.

Samsara que nos atrapa,

não é apenas isto a vida.

Que quer cegar o amor todo, à nossa vista. Almas gémeas moram em qualquer cidade

E abraços verdadeiros nunca falham.

São esses que se cuidam uns aos outros, não esqueçam. Também você é parte dessa rede e toda e qualquer alma que consigo se enterneça.

Humildemente acho que,

talvez,

eventualmente,

é capaz de serem estes sentimentos, pensamentos,

sentimentos,

pensimentos

 emoções,

pensimões

que interessam.

Um grande fundo abraço a quem compreenda

e leia

Rodas que nos atrapam

Bem à vista

Há almas gémeas em qualquer cidade

Que se falam

E é na partilha amável,

Opulenta e subtil,

no fundo abraço 

A tecer coroas de flores

Usando a flor do Lácio

Que na sua livre escrita

 continuam

2 comentários

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    contosdoeste 10.03.2021

    É claro que me pode considerar um amigo sincero, cara Sandra, a conexão que sinto com aquilo que você me diz nos seus comentários e o quanto você me tem encorajado a continuar foram e são importantes para mim. E ir ler o seu blogue e ficar maravilhado constantemente.

    Somos sim migalhas, mas somos importantes uns para os outros. E acredito que o dar e o receber amor é a força invencível que sempre nos faz continuar.

    Muitos beijinhos, e obrigado por ter vindo ler e ter gostado dum texto tão particular
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